Prematuridade #NovembroRoxo

O recém-nascido (RN) pré-termo é aquele que nasce antes das 37 semanas de gestação. A prematuridade é a maior causa de mortalidade perinatal nos países desenvolvidos.

No Brasil a taxa de prematuridade está em torno de 12 a 13 prematuros para cada 100 (cem) nascido-vivos, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde).

A distribuição dos pré-termos no Brasil está em torno de 84,3% nascendo entre 32 a 36 semanas de gestação e 15,7% nascendo com a idade menor que 32 semanas de gestação.

Embora o limite da prematuridade esteja em 37 semanas, a morbimortalidade ocorre em grande parte dos casos em crianças que nascem antes de 34 semanas.

As principais complicações neonatais do RN pré-termo são o desconforto respiratório e as infecções seguidas dos desafios do metabolismo e da nutrição desses pequenos bebês.

O cuidado perinatal a partir de 2005 melhorou muito a taxa de sobrevida dos pré-termo e o resultado neurológico ainda é um grande desafio de saúde pública, principalmente nos prematuros extremos, aqueles menores que 28 semanas.

Há um estudo interessante feito na Escócia que avaliou 407.000 crianças em idade escolar e mostrou que a dificuldade escolar foi inversamente proporcional à idade gestacional do nascimento dessas crianças, ou seja, quanto menor a idade gestacional de nascimento, maior a necessidade de apoio escolar.

Sabemos que o cérebro cresce 260% no 3º trimestre de gestação e 175% do nascimento aos 24 meses.

Quais as causas da prematuridade?

A etiopatogenia é complexa e hoje falamos em Síndrome de prematuridade onde há fatores maternos, placentários, fetais e iatrogênicos.

A prevenção é a maior arma terapêutica para a prematuridade e uma boa assistência pré-natal pode ser capaz de reduzir o parto prematuro e ou otimizar o nascimento inevitável de um prematuro, minimizando sequelas.

A assistência do prematuro em sala de parto pelo pediatra é fundamental e determinante no percurso bem-sucedido desse pequeno paciente nas unidades neonatais. Uma vez atendido na sala de parto o RN pré-termo é transportado para a Unidade Neonatal e receberá os cuidados necessários de acordo com o peso, a idade gestacional, a presença ou não de outras afecções como pré-eclâmpsia materna, sangramentos, infecções, gemelaridade, malformações congênitas, cardiopatias, etc.

E a alimentação do prematuro?

Como falado acima, outro grande desafio, principalmente nos RN’s com peso menor que 1000g.

Na unidade neonatal inicia-se a chamada nutrição parenteral no qual oferecemos por via endovenosa elementos essenciais a vida do RN. Mas o colostro e o leite materno continuam sendo alimentos de primeira linha também para o prematuro.

Paralelamente a nutrição parenteral acontece o que chamamos de colostroterapia que é a oferta de colostro da mãe em pequenas quantidades (gotas) na boquinha do bebê já nas primeiras 24 horas de vida.

O leite materno recebe aditivos ou fortificadores do leite para oferecer nutrientes necessários ao crescimento satisfatório do prematuro.

Entre os benefícios do leite materno para o prematuro citamos: maturação do trato gastrointestinal, alcance da nutrição plena mais rapidamente, menor taxa de infecção, melhor desenvolvimento cognitivo e diminuição do risco de uma patologia intestinal grave conhecida como enterocolite necrotizante.

O bebê deve receber também suplementação de vitaminas e ferro que continuarão a serem oferecidos até 2 (dois) anos de idade.

Após a alta, o RN deve manter o aleitamento materno. Para aqueles RN’s cujo mães não conseguiram manter a produção de leite, há técnicas muito promissoras de relactação.

Na falta do leite materno usamos as fórmulas pós-alta até 40 semanas de idade corrigida (idade real calculada pelo tempo de gestação) e depois as fórmulas de partida (fórmulas habituais do RN a termo).

Os prematuros além do suporte nutricional recebem também o atendimento do fonoaudiólogo, da fisioterapeuta e do psicólogo que aborda a mãe e familiares.

O bebê recebe alta hospitalar com o peso em torno de 1800g a 2000g e 35 semanas de idade corrigida.

Ele deve ser acompanhado rigorosamente quando ao seu ganho de peso com visitas semanais ao pediatra até que se atinja pelo menos 2500g ou a idade corrigida de 39/40 semanas. Muitos necessitarão de manter um acompanhamento multidisciplinar com a neurologia, fonoaudiologia e fisioterapia.

O desenvolvimento neurológico se processa de acordo com a idade gestacional e devemos nos lembrar que o sistema nervoso central se encontra em fase de desenvolvimento diferente daquele do RN a termo – aquele que nasce com idade >37 semanas.

As vacinas do prematuro seguem a idade cronológica e devem estar com peso acima de 2kg. Algumas peculiaridades vacinais o pediatra da criança vai abordar individualmente.

Concluímos então que a prematuridade ainda é um grande desafio embora muito já evoluímos na sua abordagem e sabemos que os seguintes aspectos são fundamentais na boa evolução do bebê prematuro:

1 – Saúde materna;
2 – Pré-natal de boa qualidade;
3 – Um bom serviço de assistência ao prematuro desde a sala de parto;
4 – Colostro materno e leite materno;
5 – Acompanhamento pós-natal com envolvimento dos profissionais e da família.

Dra. Rita de Cassia Aguilar Menezes – Pediatra


Referência Bibliográfica:
 
- Barros, BMJ open 2018, Leal, 2016.
- Gestacional Age at Delivery and Special
   Educacional Need: Retrospective Cohort Study Of 407 503 School Children PloS, 2010.
- Lancet Global Health 2019:7: e 37-46.
- Sagre, Conceição A.M. Perinatologia fundamentos e pratica. Saraiva, 2015.
- Brasil. Ministério da Saúde. Atenção a saúde do recém-nascido, vol.04. Brasília, 2014.