Alimentação da mãe na amamentação

A amamentação é um momento na vida de uma mãe de descoberta e também de muitas dúvidas, principalmente no que diz respeito à alimentação da própria lactante.

A produção do leite é um processo fisiológico, determinada pela ação hormonal desde a gestação. Não existem evidências científicas de que determinados alimentos influenciam na produção e quantidade do leite materno, se o aleitamento estiver ocorrendo da forma adequada, quanto mais o bebê mama, mais se intensifica a produção do leite.

O que o Ministério da Saúde preconiza é que a amamentação seja exclusiva até o 6º mês de vida, pois o mesmo é capaz de suprir todas as necessidades para o desenvolvimento da criança e após esse período deverá ser feita a introdução de novos alimentos, a chamada alimentação complementar.

Para a mãe não é aconselhável uma restrição alimentar ou dieta rígida, pois esta precisa estar bem alimentada para a tarefa de amamentar, afinal perdem-se calorias enquanto se amamenta. As escolhas devem ser por uma alimentação balanceada à base de frutas, verduras e legumes, tubérculos e raízes, grãos, proteínas e para hidratação e saciedade da sede: água.

As bebidas alcoólicas e cigarros podem comprometer o desenvolvimento neurológico do bebê, podendo prejudicar a descida do leite também.

A lactante precisa de nutrientes suficientes para seu próprio organismo e para a produção de leite, por isso ela deve aumentar, em média, cerca de 500 calorias por dia.

É importante que a lactante busque orientação nutricional, pois as mulheres são diferentes e por isso, este aumento de calorias (extras) durante a amamentação pode variar de acordo com idade, peso, tamanho do bebê (e se gêmeos ou múltiplos), índice de massa corporal (IMC), entre outros fatores.

Orientações simples podem contribuir para a manutenção do estado nutricional nesse período:

  • Aumente a ingestão de água.

  • Busque variar a alimentação para equilibrar e ter acesso a mais tipos de nutrientes e vitaminas. Consumir uma dieta variada incluindo pães e cereais, frutas, legumes, verduras, derivados do leite, sendo três ou mais porções por dia, e proteínas (peixe, carne, ovo e produtos lácteos).

  • Acrescente frutas nos lanches e sobremesas.

  • Opte por sucos naturais de fruta, feitos na hora, são melhores fontes de nutrientes. A polpa congelada perde alguns nutrientes, mas ainda é uma opção melhor do que os sucos artificiais, em pó, de caixinha ou industrializados ricos em açúcar, como os néctares de fruta.

  • Evite refrigerantes e sucos industrializados, biscoitos recheados e outras guloseimas no dia-a-dia.
 

Alguns mitos durante a amamentação:

  • A cólica do bebê é um processo normal, pois ainda existe a imaturidade gastrointestinal que está em desenvolvimento. No acompanhamento de rotina ao pediatra, vale informar como está a alimentação da mãe para saber se a cólica é um processo normal ou se será o caso de tirar algum alimento da dieta da lactante. É interessante observar o que foi consumido em relação às cólicas.

  • Durante os seis primeiros meses de vida do bebê, em que o leite é o alimento exclusivo, não precisa oferecer água ao bebê, pois a hidratação vem diretamente do leite materno.

  • Não existem alimentos que estimulam a produção de leite, pois quanto maior a sucção do bebê no peito, maior a produção de leite. A sucção é o estimulo que o corpo precisa para produção do leite materno.

  • O consumo de cafeína deve ser com moderação e respeitando a sensibilidade e tolerância da mãe e do bebê.

Atenção:

Caso o bebê apresente diarreia, erupções cutâneas ou constipação intestinal procure o pediatra, pois pode ser sinal de alergia a alguma comida consumida pela mãe. Solicite orientação ao médico para reposição de vitaminas, caso necessário. 

Ester Gois (Nutricionista)

Fonte:

Martins APB, Benício MHD. Influência do consumo alimentar na gestação sobre a retenção de peso pós-parto. Rev. Saúde Pública. 2011; 25(5): 870-7.

VITOLO, M.R. Nutrição: Da gestação ao Envelhecimento. 2. Ed. Rio de Janeiro: Rubio, 2009, 628p.

Orientações Nutricionais: da gestação à primeira infância, 2015. http://www.casaangela.org.br/pdf/05-orientacoes-nutricionais.pdf