Projeto Parto Adequado

O Projeto Parto Adequado é uma iniciativa conjunta da Agência Nacional de Saúde (ANS), o Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE) e o Institute for Healthcare Improvement (IHI), com o apoio do Ministério da Saúde cujo objetivo é identificar modelos inovadores e viáveis de atenção ao parto e nascimento que valorizem o parto vaginal e reduzam o percentual de cesarianas sem indicação clínica na rede suplementar de saúde.

Este Projeto foi criado em 2015 visando reduzir o número alarmante de cesarianas no Brasil. Na rede particular de assistência a taxa de cesarianas chega a 84% dos partos realizados, sendo que a comunidade médica internacional considera ideal uma taxa de 10 a 15%, segundo a OMS.

A Maternidade e Hospital Octaviano Neves, está passando por um processo de renovação e modernização, com adoção de um Programa de Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia, além da aquisição de novas parcerias visando tornar-se um centro de referência para atendimento e cuidado global às mulheres. Desta forma, entendemos que o Projeto Parto Adequado vem somar esforços no sentido de proporcionar à paciente uma assistência cada dia mais qualificada e com práticas baseadas em evidências científicas.

A Maternidade, em parceria com a operadora Vitallis, entrou para o projeto em 2020, no Ciclo Intensivo da Fase 2 do Projeto. Embora a parceria com uma operadora de saúde, a intenção é usar todo o conhecimento adquirido para disseminar informação e treinamento para todo o corpo clínico de plantonistas e médicos externos da Maternidade, bem como para as pacientes (independente se convênio ou particular), visando aumentar o número de partos vaginais de forma segura na instituição e reduzir o número de cesarianas desnecessárias. O objetivo é desafiador. Hoje a taxa de partos vaginais é em torno de 24% e nosso objetivo é aumentar para 60%. A equipe está ciente das dificuldades que enfrentarão ao longo do caminho, visto que se trata de uma mudança de paradigma. Será necessário reeducar a sociedade para aceitar melhor a espera pelo trabalho de parto espontâneo, aguardando o tempo necessário para que este processo ocorra naturalmente, de preferência. Reeducando também a população médica e assistencial como um todo para incentivar e aceitar esse processo natural de evolução, quando isso for possível, visando diminuir os riscos maternos e fetais na assistência ao trabalho de parto, parto e pós-parto.

Dra. Leny Freire Nunes Morais
Plantonista de Ginecologia e Obstetrícia da Maternidade e Hospital Octaviano Neves
Coordenadora da COREME da Maternidade e Hospital Octaviano Neves
Vice-diretora Clínica da Maternidade e Hospital Octaviano Neves

Fonte: Agência Nacional de Saúde Suplementar.